Carros oficiais não pagam multas
Em Brasília, o Detran, não multa carros oficiais. Segundo o próprio órgão, existia uma "falha" no sistema que não gerava multa as placas de parlamentares. Essa informação é desmentida por pelo analista em trânsito Luis Miúra. Detalhe: só no mês de fevereiro foram registradas 901 infrações feitas por veículos oficiais. E há muitos outros casos. Apenas um automóvel, do gabinete de um senador, foi flagrado quatro vezes, em dez dias, por ultrapassar o limite de velocidade. É como se, num único mês, cada um dos 95 carros oficiais tivesse cometido em média nove infrações.
Luís Miúra ressalta: "não há justificativa técnica para que as multas não tenham sido cobradas. O sistema está todo informatizado, possibilita que se monte um sistema e que se aplique a multa. Agora, politicamente, talvez não convenha que isso aconteça", disse.
Mas, por enquanto, apenas os carros do Senado vão começar a ser multados. O Detran diz que até junho a lei vai valer para todos.
Outra face da farra que é ser parlamentar: O terceiro-secretário do Senado, Mão Santa (PMDB-PI), informou que os senadores que possuem imóvel em Brasília poderão continuar a receber auxílio-moradia de R$ 3,8 mil mensais. Segundo ele, que é o responsável pelo pagamento desde fevereiro, não há impedimento legal para o recebimento. "A lei não diz isso, que não pode. Tem que ser igual para todos. Eu podia ter uma casa, mas não tenho. O que eu posso fazer, vou ter inveja de quem tem?".
Ele explicou que com a decisão o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não teria que devolver os recursos que recebeu desde o ano passado. Mão Santa explicou que o presidente só usa a casa oficial para receber autoridades e reside em uma casa de sua propriedade.
A obrigatoriedade da devolução anunciada pela Mesa só se estende a três senadores: Cícero Lucena (PSDB-PB), Gilberto Goellner (DEM-MT) e João Pedro (PT-AM). Eles moram em apartamentos funcionais do Senado e mesmo assim vinham recebendo o benefício em suas contas. Segundo Mão Santa, não houve má-fé dos colegas, mas sim um erro administrativo.



